quinta-feira, 25 de agosto de 2016

EU SÓ QUERO MAIS UMA CHANCE NA VIDA !



Eu faço um apelo ou mais um, por mim e por todas as mães que são reféns do descaso que as autoridades Brasileiras nos submete.
Maus dias e noites passaram na minha frente com uma luta árdua, continua e distante de tudo que sonhei para meu futuro, esta luta por conquistar os direitos de meu filho, de ter saúde e educação ter dignidade como qualquer um, ter direito de evoluir apesar de ter limitações, de ser acolhido em lugares que deveriam atender com amor esperanças e ao invés disto receber porta na cara. 
Gostaria de  saber quem consegue ficar normal depois de ter sido jogado de um despenhadeiro ? sem volta sem solução sem saída, saber que todos seus sonhos foram destruídos por um diagnostico, que a medicina não pode reverter.
A dor  deste dia que nunca esquecerei, fora como tivesse acabado toda minha vida, meus sonhos de crescer na vida, mesmo sendo pobre eu nunca me diminui, pois sei que podemos fazer nossos destinos, estudando e trabalhando duro, e medo de pobreza nunca tive, pois tinha dentro de mim uma forma de sentir que eu venceria, com meu esforço, planejava aos 44, 45 anos estar curtindo minha vida com meu marido e filhos, viajar conhecer o mundo ser feliz por explorar o que não conheço, ser humanitária, solidária.
Estou aqui apresentando como me sinto diante de ter um filho e agora 22 anos Autistas sem nenhum apoio de quem dever obrigatoriamente fazer, os Governos  que teriam que prevenir certos tipos de acontecimentos, que por causa da grande febre da ambição, não permite, com o mesmo discurso não temos verbas.
A maior carga tributária do mundo pagamos aqui, e não tivemos o retorno que deveriam ser aplicados na sociedade em todas as áreas saúde e educação infraestrutura, planejamento social controle de  natalidade, crescimento organizado e centralizado, qualidade e investimentos em trasportes público de qualidade. Não são aplicados, eu como mãe hoje de 2 Autistas um com um grau de menor comprometimento de 6 anos e outro de baixo funcionamento de 2 anos, sem saída fui obrigada a estar cuidando de meu filhos e agora de dois, pois não temos onde trata-los, esta inclusão que não funciona e não vai funcionar nunca se o ensino público não for de qualidade para os ditos normais, quanto mais aos que necessitam de maior atenção e dedicação, ao invés de não segregar como fora o fundamento desta inclusão, foi a real exclusão segregando ainda mais mães e pais que chegam até as escolas publicas ou privadas e tendo as respostas que não temos como atender as necessidades de nossos filhos.
Pergunto eu, os profissionais foram preparados a receber esta inclusão ? Absolutamente não ! Os professores, médicos, enfermeiros, hospitais e locais púbicos estão ? não também.
Como podemos ter vida após o autismo ? Como podemos ter liberdade de ir e vir, se nossos autistas estão sem nenhum atendimento, para ter o comportamento adequado em locais públicos ? Somos reféns de nosso amor pelos filhos, e todas nós passamos a viver as mesmas realidades, sem direitos básicos que nos garante a Constituição Brasileira !
O que acontece que o povo não acorda e exige que acabem com cargos comissionados, altos salários e regalias, que são pagos com nossos impostos ? Se não temos verbas para pagar um salário mínimo aos que já trabalharam duro a vida toda, e hoje vivem na miséria total, de que vale trabalhar tanto para dar mordomias aos que se dizem ser um regime Presidencialista, e esconde que na verdade para um regime de Monarquia, onde poucos são muito ricos e conserva-se de geração em geração ocupando o poder publico de pai para filhos com o no sistema Monarquia, os Burgueses saíram para dar lugar aos Capitalistas, só mudaram os nomes continua a mesma coisa muitos sendo escravizados, sendo teoricamente livres, e não se dão conta que seus trabalhos são escra vos,  antes os escravos apanhavam trabalhavam se remuneração e não tinham  poder de ir e vir, hoje também é igual com a diferença de que o povo acha que pode ir e vir, se por exemplo você sair depois da meia noite de casa ou até a luz do dia, policiais se considerarem você suspeito, será abordado de forma hostil, e a explicação é porque está a esta hora aqui neste local ? Ora cade os direitos que estão somente no papel ? Gente nada mudou desde a independência e a abolição ! Meu apelo é QUERO VOLTAR A TER DIGNIDADE, TRABALHAR ESTUDAR CRESCER E SER ALGUÉM QUE POSSA ME ORGULHAR DO TRABALHO CONQUISTADO E BEM FEITO, ME TRAZENDO DIGNIDADE, RESPEITO E SENDO RESPEITADOS MEUS DIREITOS EM TODOS OS ÂMBITOS. QUE O POVO SE UNA, COMECEM A EXIGIR SEUS DIREITOS, EXIGINDO A EXTINÇÃO DE ALTOS SALÁRIOS, PARA QUE OS SERVIÇOS ESSENCIAIS SEJAM REALMENTE CUMPRIDOS, E NOSSA CONSTITUIÇÃO SEJA ALCANÇADA, DANDO OPORTUNIDADE E IGUALDADE DE DIREITOS A TODOS !
O PRINCIPAL É TER NOSSOS FILHOS EVOLUINDO EM TERAPIAS EDUCAÇÃO LAZER CONCENTRADOS EM UM SÓ LUGAR, TRAZENDO BENEFICIOS PARA AS MÃES E PAIS, CUIDANDO DE QUEM CUIDA, CAPACITANDO QUEM ESTA FORA DO MERCADO DE TRABALHO HÁ ANOS COMO EU, FAZENDO ESTAS PESSOAS SEREM PRODUTIVAS PARA A ECONOMIA, UNINDO-SE COM MUNICÍPIOS VIZINHOS  EM PARCERIAS ENTRE CIDADES MENORES, CONSTRUINDO CENTROS DE REFERÊNCIA AO AUTISTA, ATENDENDO ESTA DEMANDA QUE SEGUNDO ESTATÍSTICAS Dados epidemiológicos mundiais estimam que um a cada 88 nascidos vivos apresenta TEA, Não bastasse o alarmante índice de quase 1% de crianças no espectro autista, o aumento médio foi de 57% (entre 27% e 95%) para os números anteriores, que datam de 2002. Muitos órgãos já citam o autismo como a maior epidemia do planeta e cada pesquisa publicada só vem corroborar com essa afirmação.
 MEU APELO É PARA TER ATENDIMENTO  GOVERNAMENTAL PARA OS AUTISTAS DE TODO BRASIL, NÃO QUEREMOS TER QUE TER ENTIDADES PRIVADAS NÃO FILANTRÓPICAS E SIM O GOVERNO ASSUMIR E FAZER VALER A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ! http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/16449



domingo, 14 de agosto de 2016

NOSSA LUTA COMO MÃE DE AUTISTA É MUITO PESADA, CANSATIVA E ÁRDUA,



Minha vida como mãe de dois Autista tem sido um fardo pesado e doce ao mesmo tempo.  Pois esta dor que nunca passou, desde o dia fatídico  recebimento do diagnóstico   ainda permanece até hoje .
Venho desabafar minha dor aqui pelo fato de estar envelhecendo e ainda não ter algo de concreto para deixar para meu filho caso eu falte,o que acontecerá pela lei natural da vida, desde muito tempo venho alertando outras mães para atentar para a questão da união, e para o fato de nossos filhos crescerem e serem adultos, muitas mães pensam só no hoje, enquanto seus filhos são pequenos todos aceitam ainda, mais a idade chega para todos, e o que se vê desde a época do meu mais velho é que, não querem receber adultos, pois ouvimos sempre passou o tempo de aprendizado, nós mães esperamos dos profissionais mais empenho, capacidade e dom, e nunca dizer a mãe que seu filho não possuí mais capacidade de aprender, isto para mim é pura incapacidade de profissionais incompetentes e maldosos.
Ouvi muitas vezes que ele não conseguiu passar pela avaliação, e pouco se pode obter deste aluno, ou seja a pessoa chega querendo ter esperanças de evolução com terapias e tratamentos e sai desiluda com tais opiniões, tenho certeza hoje de que o equivoco é realmente do profissional,
A falta de conhecimento com respeito a informação e qualificação para trabalhar com o Autista em todos os níveis, do autista de alto baixo e com comorbidades, todos tem evidentemente chances de se sociabilizar, de integração e aprendizado, e o fato de serem Autistas, não é o fim, e sim um recomeço
acreditem em seus filhos, eles nos surpreende todos os dias, e a cada passo, a cada palavra, a cada conquista, apresenta-se reconfortante e dá-nos mais forças para lutar pelos tratamentos e terapias.
Algo que gostaria de apresentar aqui também é, precisamos deste lugar onde poderemos voltar a ter a luz no fim do túnel, chama-se Centro de Referencia ao Autista, neste maravilhosos projeto teremos no mesmo local tudo que almejamos, como horários para educação saúde e lazer, isto proporcionará ao aluno Autista criança ou adulto, tudo que necessita para evoluir e sociabilizar, em período de 8 horas trabalhadas com este Autista, e quero deixar mais claro ainda que dentro deste tempo, não estrá confinado a ter educação ou seja pedagogia cansativa, e sim para cada individuo e suas necessidades e idade a terapia e lazer adequados para cada idade !
É INFELIZMENTE EU NÃO CONSIGO FAZER ISTO SOZINHA, NECESSITANDO DO APOIO E AJUDA DE TODOS INTERESSADOS EM MELHORAS E QUALIDADE DE VIDA AOS SEUS FILHOS E AS SUAS FAMÍLIAS !
ESTE PROJETO CLINICA ESCOLA, QUE ESTA AÍ JÁ FUNCIONANDO NÃO NOS DÁ ESTES BENEFÍCIOS, E SIM É IGUAL AOS ATENDIMENTOS QUE A APAE JÁ FAZ, OU SEJA NÃO É DEFINITIVAMENTE O QUE EU ALMEJO PARA MEUS FILHOS !
MAIS UMA VEZ PEÇO PARA QUE AS MÃES QUE  NOS UNAMOS ESQUECENDO NOSSAS DIFERENÇAS EM PROL DE SEUS FILHOS !




sábado, 13 de agosto de 2016

O que é Síndrome de Asperger? A síndrome de Asperger é reconhecido como um de uma variedade de condições associadas com o espectro do autismo (Asa, 1996). Os critérios diagnósticos associados com a síndrome de Asperger identificar a presença de prejuízos qualitativos na interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento. Além disso, a sensibilidade a alterações, adesão rígida às rotinas e fixação incomum para objectos encontram-se entre uma série de dificuldades que podem sinalizar a necessidade de um diagnóstico (Organização Mundial de Saúde (OMS), 1992). As deficiências de comunicação social associados a um diagnóstico de autismo não são tão abertamente destaque nos critérios de diagnóstico de síndrome de Asperger, contudo, estes são muitas vezes inerente às diferenças qualitativas observadas na interação social dos indivíduos que passam a ser diagnosticada. O que o diagnóstico envolve A identificação da síndrome de Asperger é apoiado por uma série de critérios de diagnóstico reconhecido inclusive, Classificação Internacional de Doenças 10ª edição (CID-10) (Organização Mundial de Saúde, 1993) e de diagnóstico e revisão manual -IV-Texto de Estatística (DSM-IV-T) (American Psychiatric Association, 2000). A fim de receber um diagnóstico de síndrome de Asperger, os indivíduos devem apresentar-se com um prejuízo qualitativo na exemplos de interação social do que incluem dificuldades com o uso de comportamentos não-verbais e um fracasso para desenvolver relacionamentos com os pares. Haverá também evidências de comportamentos ou interesses restritos e repetitivos. Isto pode incluir uma pré-ocupação consumindo todos com um tema específico ou conjunto de objectos. Tais interesses podem ser considerados obsessões restritivas no que eles podem ser ou podem tornar-se uma barreira para a prática de outras atividades ou interações com outras pessoas. O grau de perturbação do desenvolvimento terá impacto sobre uma gama de áreas como o funcionamento ocupacional ou social. De acordo com os critérios, os indivíduos com síndrome de Asperger deve apresentar nenhum atraso clinicamente significativo na linguagem e não têm atraso no desenvolvimento cognitivo (American Psychiatric Association, 1994). Posição na Spectrum diferenças qualitativas na interação social são, indiscutivelmente, os principais recursos a definição do espectro do autismo (Kanner, 1943, Rogers, 2000). Tais diferenças podem resultar em isolamento e exclusão social e pode, potencialmente, permeiam todos os aspectos da vida ordinária, tais como relacionamentos, emprego e acesso ao lazer e de consumo experiências. Há uma ampla aceitação e concordância de que o impacto sobre os indivíduos em todo o espectro pode dar origem a uma série de vulnerabilidades que resultam em o risco de pessoas com um diagnóstico a ser marginalizados na sociedade e alcançar resultados mais pobres em comparação com desenvolvimento típico pares (Barnhill 2007; Howlin, Goode, Hutton e Rutter 2004). Em indivíduos com diagnóstico de síndrome de Asperger, tais vulnerabilidades são muitas vezes justapostos com alta inteligência e capacidade, por vezes, superior em áreas específicas, resultando em um perfil muitas vezes complexa e misto, que pode levar a mal-entendidos das intenções e ações de outras pessoas. A fim de receber um diagnóstico de síndrome de Asperger, os indivíduos devem apresentar-se com um prejuízo qualitativo na exemplos de interação social do que incluem dificuldades com o uso de comportamentos não-verbais e um fracasso para desenvolver relacionamentos com os pares. O que é autismo? O que é a síndrome de Asperger? diagnóstico de auhttp://www.scottishautism.org/about-autism/about-autism/what-aspergers-syndrome
http://www.scottishautism.org/about-autism?gclid=CjwKEAjwiru9BRDwyKmR08L3iS0SJABN8T4vhflkZSODLfM8vpnJg1oMWn6nryQdvviHPJhm262XFxoCmybw_wcBQual é o espectro do autismo O espectro do autismo refere-se à variedade de maneiras a condição pode presente no indivíduo que pode variar muito de pessoa para pessoa e ao longo da sua vida. Enquanto algumas pessoas terão dificuldades mais sutis, outros têm necessidades complexas que requerem apoio mais intensivo. Os comportamentos e desafios normalmente associados com o autismo são muitas vezes como resultado de diferenças de pensar e processar informações. É através de uma compreensão profunda dos impactos desses estilos de pensamento diferentes que somos capazes de desenvolver abordagens e estratégias que permitem que as pessoas com autismo para melhor compreender e contribuir para o mundo em torno deles.

MONGAGUÁ E REGIÃO PALESTRA TEMA AUTISMO GRATUITA COM DR LEONARDO MARANHÃO

MONGAGUÁ E REGIÃO TEM A GRANDE OPORTUNIDADE RECEBER ESTE PROFISSIONAL QUE VEM NOS PRESTIGIAR, COM SEU CONHECIMENTO E EXPERIÊNCIA E MELHOR AINDA, DOANDO-SE ( PALESTRA GRATUITA ) PARA QUE NOSSA COMUNIDADE CONHEÇA, SE ESCLAREÇA E TIRE SUAS MAIORES DÚVIDAS SOBRE O AUTISMO ! Há muito tempo venho lutando para melhorar meus filhos, porém estou nesta caminhada há há 19 anos, pois meu primeiro filho, hoje um adulto Autista de Baixo funcionamento, e como todas as informações trata de informar que podemos ter o maior avanço o quanto antes, ou seja assim que fora descoberto Autismo, quanto mais nova mais terá de resultados com terapias tratamento com Neuropediatra Psiquiatras especializados farão a maior diferença, os avanços podem chegar próximos a normalidade, dependendo do grau de comprometimento do Autista, não nos esquecendo tem existem as comorbidades, que são outros tipos de comprometimentos que se associam ao Autismo, tais como, Deficiência Mental, Paralisia cerebral entre tantas outras, quando o Autista só tem autismo e sendo bem trabalhado, pode-se alcançar muitos bons resultados, lembrando que não desapareça o Autismo como muitos tentam passar está imagem, aproveitando-se disto para ganhar dinheiro, sem a menor preocupação de enganar outros pais em benefícios, próprios, como fama, e dinheiro, CUIDADO COM FALSAS PROMESSAS E RECEITAS MIRACULOSOS !

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A Psiquiatria ainda é tratada com muito descaso no Brasil, afirma diretor do filme Nise

A Psiquiatria ainda é tratada com muito descaso no Brasil, afirma diretor do filme Nise

O filme Nise: O Coração da Loucura, lançado nos cinemas em abril deste ano, conta a história da psiquiatra e discípula jungiana Nise da Silveira. Interpretada por Glória Pires, Nise foi precursora da terapia ocupacional no Brasil, e construiu sua história lutando por um tratamento psiquiátrico mais humano e menos violento para os pacientes do hospital onde trabalhava, a partir da década de 1940. O longa é o primeiro filme ficcional do diretor Roberto Berliner, que até então havia produzido apenas documentários.
Para Berliner, Nise é uma das mulheres mais importantes da história brasileira. “Ela toca em assuntos que considero fundamentais para nossa civilização. Foi uma feminista, uma mulher que pensava no outro sempre, no excluído, o que é fundamental”, disse o diretor, em entrevista exclusiva para o Saúde Popular.
Nise não revolucionou apenas o tratamento psiquiátrico: foi uma das primeiras mulheres a se formar em medicina no Brasil e chegou a ser afastada da psiquiatria durante anos por posse de livros marxistas. Em 1944 voltou a trabalhar no Centro Psiquiátrico Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, período retratado pelo filme de Berliner.
Na época, a internação compulsória, tratamentos de choque e lobotomia eram amplamente disseminados nos hospitais psiquiátricos. Disposta a transformar os métodos de tratamento, a alagoana Nise introduziu a arte como terapia ocupacional, transformando uma pequena ala a qual lhe foi destinada no hospital em um berço de artistas aclamados, que tiveram suas obras expostas ao redor do mundo.
Do esforço da psiquiatra e de seus pacientes foi criado o Museu do Inconsciente, aberto até hoje no Rio junto ao Instituto Municipal Nise da Silveira, atual nome do Centro Psiquiátrico onde a médica construiu o projeto. Embora suas descobertas tenham influenciado muito o tratamento de esquizofrênicos, seu trabalho foi extremamente criticado na época, e a realidade dos manicômios no país continua opressora.
“Frequentei alguns lugares no Brasil onde se trata esquizofrênicos. O que eu vejo é que a luta antimanicomial evoluiu muito, mas a falta de interesse e de verbas destinadas às doenças mentais e ao estudo da mente humana ainda é muito grande” ressaltou Berliner, que assumiu ter se tornado apoiador do movimento pela transformação dos serviços psiquiátricos.
O filme foi vencedor do prêmio Grand Prix do 28º Festival de Tóquio, no qual Glória Pires também levou o prêmio de melhor atriz pelo papel. No evento, Berliner destacou que hoje Nise é sua “heroína”. Em um país que anonimiza suas lutas, heróis e principalmente heroínas, a história da médica nordestina pioneira da humanização da saúde mental é uma pauta não apenas cinematográfica, mas extremamente necessária.
Confira a entrevista na íntegra:
Como foi sua aproximação e escolha do tema da vida da Nise e da luta por uma psiquiatria humanizada?
Começou com o jornalista Bernardo Horta. Nos anos 80 ele acompanhou a Nise durante muitos anos, nesse período ele anotava detalhes do comportamento dela. Anos depois, através do irmão dele, o André Horta, que é um parceiro meu de trabalho há muitos anos, ele apresentou a ideia de fazer o filme e eu embarquei nela.
Eu era pouco familiarizado com o trabalho dela, apesar de já ter a conhecido e estado com ela umas duas vezes. Eu conheci através do filme do Leon Hirszman, ele é um cineasta brasileiro muito importante que fez três documentários com ela. Eu acho que a Nise talvez seja uma das mulheres mais importantes da nossa história, ela toca em assuntos que eu considero fundamentais para nossa civilização brasileira. Foi uma mulher feminista, uma mulher que pensa no outro sempre, no excluído, o que é uma coisa fundamental.
Ela teve um olhar horizontal para as pessoas de qualquer classe social, de qualquer faixa etária, qualquer cor, credo, inclusive em relação à loucura. Ela teve essa capacidade, e isso, principalmente essa visão dos excluídos, me aproximou muito do trabalho dela quando comecei esse projeto, por volta de 2002.
Você dirigiu principalmente documentários. Acredita que o formato ficcional escolhido para o filme foi importante para mostrar o lúdico do trabalho de Nise?
Eu acho que fazendo uma ficção a gente acabou fazendo um trabalho mais amplo, nosso filme teve mais chance de acontecer. Eu cheguei a pensar e ainda penso em fazer um documentário sobre isso.
Na sua opinião, qual a contribuição mais importante que a Nise da Silveira trouxe para a saúde mental?
Tem duas coisas muito importantes sobre a Nise. A terapia ocupacional já existia no Brasil, mas ela esquematizou e estudou profundamente isso, através da ordem dos artistas. Primeiro ela conseguiu observar esse trabalho e depois ela começou a teorizar sobre tudo que ela viveu. Outra coisa fundamental foi o trabalho que ela teve com os animais, foi um trabalho chave também na evolução da psiquiatria no Brasil.
Você acredita que o filme tem servido de incentivo à luta antimanicomial?
Muito. Ele tem sido usado e vai estar à disposição para quem quiser usar nesse sentido. Quero mostrar e tenho mostrado essa luta, participado de debates pelo Brasil afora. Eu não tinha essa aproximação com a luta antimanicomial, não tinha participado disso ativamente, eu não sou do meio, mas tenho alguns amigos muito ligados a isso, e agora me engajei um pouco mais e espero ajudar. Participo quando posso, apoio e suporto.
O que este engajamento com a luta antimanicomial te acrescentou desde então? Você acha que houve uma humanização das clínicas de internação desde a época representada no filme?
Acho que acabei convivendo com muitos esquizofrênicos no Brasil e até no mundo. Viajei para outros lugares, conversei com muitos psiquiatras e frequentei alguns lugares no Brasil onde se trata esquizofrênicos.
O que eu vejo é que a luta antimanicomial evoluiu muito, mas a falta de interesse e de verbas destinadas às doenças mentais e ao estudo da mente humana ainda é muito grande. Ainda tratam a psiquiatria com muito descaso no Brasil. E acho que talvez uma das chaves da evolução da gente seja justamente conseguirmos entender um pouco da mente humana.